quinta-feira, dezembro 28, 2006

2 - Um Deus Pessoal

É através das Escrituras Sagradas que Deus Se revela tal qual Ele é. Ninguém poderá ter um vislumbre da Pessoa Divina a não ser pela Revelação contida na Bíblia. Ela é a Palavra Autorizada de Deus. Nenhum outro livro tem a sua autoridade. A Escritura, portanto, é o espelho através do qual podemos ver a glória do Senhor (1 Co.13:12).
Neste módulo, vamos dividir o estudo da Pessoa de Deus em duas partes. Na primeira, vamos estudar a Natureza Divina, e na segunda, os Seus atributos.

2.1. A Natureza Divina

Deus é um Ser Triúno. Isto quer dizer que, embora seja Um, também é Trino. Não há três deuses, e sim, apenas um Deus. Não há três tronos, e sim um Trono sobre o qual está assentado o Único e Soberano Deus.
Podemos ler nas Escrituras muitas afirmações como estas:

“Antes de mim, deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá...Não há outro Deus senão eu...Eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim.” Isaías 43:10b; 45:21b; 46:9b.

À vista destas afirmações, seria inadmissível a existência de mais de um Deus.
Antes de todas as coisas, Ele já existia. E ao criar o universo, Ele não estava em busca de algo que Lhe pudesse completar, ou suprir-Lhe alguma necessidade. Ele é auto-suficiente; em outras palavras, Ele Se basta. Mesmo ao criar os seres inteligentes, tais como os homens e os anjos, Ele não buscava alguém com quem relacionar-Se, pois Ele mesmo é um Ser Social em Si mesmo. Ele Se relaciona conSigo mesmo. Daí a pluralidade que há em Seu próprio Ser. Se não houvesse pluralidade em Seu Ser, Ele não teria condição de relacionar-Se com alguém, a menos que criasse esse alguém. Logo, Ele não seria auto-suficiente. Portanto, Ele não seria completo, perfeito, nem tão-pouco seria Deus.
Ao criar os seres viventes, Ele os fez para a Sua glória, e não para suprir alguma carência relacional.
A pluralidade do Seu Ser pode ser percebida logo no início da narrativa sagrada. Ali encontramos o Supremo Criador dizendo: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn.1:26a).
Alguns dizem que Deus estava Se dirigindo aos Seus anjos nesta passagem. Então, teremos de admitir que os anjos tiveram participação na criação do homem. Portanto, eles seriam nossos co-criadores. E o que dizer da seguinte passagem: “Então disse o Senhor Deus: O homem agora se tornou como UM DE NÓS, conhecendo o bem e o mal...” (Gn.3:22a)?
Fica claro que Deus não estava falando com anjo algum, e sim conSigo mesmo. Afinal, Deus não toma conselho com ninguém, senão conSigo mesmo (Is.40:13-14; Rm. 11:33-34; Ef.1:11).
Alguns afirmam que não há no Antigo Testamento nenhuma prova acerca da pluralidade do Ser Divino. Então, o que dizer desta passagem: “Chegai-vos a mim, e ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez e eu estava ali, e agora o Senhor Deus me enviou, juntamente com o seu Espírito. Assim diz o Senhor” (Is.48:16-17a)?
Repare que quem fala é o Senhor: O Senhor Deus me enviou, diz o Senhor. Neste versículo, encontramos a Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Pai é o que envia, o Filho é o enviado, e o Espírito Santo procede de ambos.
Outra passagem que nos desperta igual interesse é o Salmo 110:1, onde lemos:

“Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.”

Sabemos, por passagens posteriores, que este é um salmo messiânico, pois foi Cristo quem assentou-Se à destra do Pai, Todo-Poderoso. E que tal esta passagem?

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça, e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, O TEU DEUS, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”.
Hebreus 1:8-9

Se quisermos compreender melhor o mistério da triunidade divina, teremos de lançar mão de algumas analogias.
Nos quadros abaixo, sugerimos algumas analogias apresentadas pela própria Bíblia:

Pai

É - Êx.3:14
Fonte - Jer. 17:
Essência - 1 Tm.1:17
Invisível - 1 Tm.6:15-16
Quem Ama - Jo.3:35
Sol/Fogo - Sl.84:11/Hb.12:29

Filho

Fala - Jo.1:1/Hb.1:2
Rio/Canal - Ez.47:9/Sl.46:4
Expressão - Hb.1:3
Forma Visível - Col.1:15/Fp.2:6
O Amado - Ef.1:6/2 Pe.1:17
Luz - Ap.1:16/Jo.1:9

Espírito Santo

Age - 1 Co.12:11
Água - Jo.7:38-39
Operação - 2 Co.3:18
Poder - At.1:8
Amor - Rm.5:5
Energia/Calor - Col.1:11/Ef.3:7

Podemos ainda sugerir outras analogias práticas acerca da Trindade. O Pai é o Planejador, o Filho é o Locutor, e o Espírito é o Executivo. Na verdade, tanto o Pai, quanto o Filho, e o Espírito Santo, são inclusivos. Isto é, nenhum Deles trabalha só. Suas tarefas são feitas em conjunto.
Todos os títulos dados ao Pai, são compartilhados pelo Filho, e pelo Espírito Santo.
Por exemplo: Tanto o Pai, quanto o Filho são chamados “Senhor dos senhores” (Deut.10:17; Ap.17:14). Ambos são chamados de “Criador”(Ap.4:11; Col.1:16,17).

Já o Espírito Santo também é chamado de:

· Espírito de Cristo - 1 Pe.1:11
· Espírito de Deus - Gn.1:2
· Espírito do Pai - Mt.10:20
· Espírito do Filho - Gl.4:6
· Espírito do Senhor - Is.11:2; 61:1
· Espírito de Jesus - At.16:7; Fp.1:19
· Espírito Eterno - Hb.9:14
· Espírito da Verdade - Jo.16:13

Os títulos que o Espírito recebe é também compartilhado com as demais Pessoas da Divindade. Por exemplo: Tanto o Filho, quanto o Espírito são chamados de Senhor (2 Co.3:17; 1 Co.2:8 ), Verdade (João 14:6; 1 Jo.5:6), Consolador/Advogado ( Jo.14:26; 1 Jo.2:1 ).
Alguns Teólogos destinguem a atuação das Pessoas da Divindade, atribuindo a cada uma delas uma obra específica. Segundo eles, o Pai é o Criador, o Filho é o Redentor, e o Espírito é o Santificador. Porém, todas estas obras envolvem as três manifestações da Divindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão envolvidos ativamente, tanto na criação, quanto na redenção e na santificação.
Por exemplo: Em Hebreus lemos que foi o Espírito Santo quem ofereceu ao Pai o sangue de Cristo para a redenção da humanidade (Hb.9:14).
Até mesmo Cristo recebe o título de “Pai Eterno”(Is.9:6).
Temos que ser cuidadosos para que não caiamos no erro de afirmar que as três Pessoas encontradas na Divindade são exclusivas. Na verdade, tudo que uma é, as outras são. Elas se incluem mutuamente. Sendo uma a síntese das outras.
Afinal, Eles formam um só Deus. Pai + Filho = Espírito Santo.
Jesus afirmou: “Se alguém me amar, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, e VIREMOS para ele e nele faremos morada” ( Jo.14:23 ). Ora, nós sabemos que é o Espírito Santo que habita em nós. Como, pois, Jesus promete que Ele mesmo e o Pai viriam e fariam morada em nós? Simplesmente porque, Ele e o Pai, juntos, são o Espírito Santo. Por isso mesmo, Paulo não hesitava em chamar o Espírito Santo de Espírito do Pai, e Espírito do Filho. É de Paulo a afirmação de que há “um só Espírito”, “um só Senhor”, e “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”( Ef.4:4-6 ). Portanto, quando o Espírito opera, é Jesus quem está operando. Quando Jesus opera, é o próprio Pai quem está operando. Repare nas palavras de Paulo quanto a isso:

“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor ( Jesus ) é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo DEUS que opera tudo em todos... Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas...”
I Coríntios 12:4-6,11 .

O Espírito é o mesmo, o Senhor é o mesmo, e Deus é o mesmo. Pai, Filho e Espírito Santo co-existem desde a eternidade, trabalhando juntos, e ocupando o mesmo Trono.
Pai

O próprio Cristo deixou claro este ensinamento, quando disse: “Crede-me quando digo que estou no Pai, e o Pai está em mim; pelo menos crede por causa das mesmas obras” ( Jo.14:11 ).
Portanto, no Pai está o Filho e o Espírito Santo. No Filho, está o Pai e o Espírito. E no Espírito Santo está o Pai e o Filho.
Em 1 João 5:7 lemos: “Pois três são os que dão testemunho no céu: o Pai,a Palavra (Jesus ), e o Espírito Santo; e estes são um.”
Se queremos encontrar o Pai, precisamos ir ao Filho; e somente o Espírito Santo nos revela o Filho ( Jo.14:6-9; Mt.11:27; Ef.1:17; Jo.16:13-14 ).
Logo no início de sua narrativa, João afirma: “Ninguém nunca viu a Deus, mas o Deus unigênito, que está ao lado do Pai, é quem o revelou” (Jo.1:18).
Jesus é o Deus Unigênito, isto é, o Deus único. “Ele é a imagem do Deus invisível” (Col.1:15a).
Quando se olha para o Filho, vê-se o Pai. Jesus disse: “Se vós me conhecêsseis, também conheceríeis a meu Pai. De agora em diante o conheceis , e o vistes... Quem me vê, vê o Pai” (Jo.14:7,9b).

Um comentário:

adeilton disse...

gostei muito do estudo sobre O NOSSO DEUS TRIÚNO pq foi de uma forma termendamente esclarecedora um tema bem polemico.Q DEUS abençoe grandemente a vida do senhor !!!